A PSICOMOTRICIDADE POR VITOR DA FONSECA

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Por: Grazielle Fachini

Pequeno Histórico da Psicomotricidade
Pensar na origem e evolução da Psicomotricidade, é pensar, em como o corpo é significado ao longo da história humana. No século XIX, ocorre o início dos estudos sobre o corpo, primeiro por neurologistas, devido à necessidade de compreensão das estruturas cerebrais, e posteriormente, por psiquiatras.

Os pioneiros são: Krishaber, Von Moakow, Bonnier, Mayer Gross, WierMitchell, Wernicke, Foerster, Peisse, Head, Leipmann, H. Jackson, Gertsmann, Babinski, Lhermitte, Lunn, Meerovitch, Shilder, Nielsen, e outros no campo neurológico, psiquiátrico e neuropsiquiátrico. Já no patológico, Dupré 1909 apud Fonseca 2012, p.12, parece introduzir o termo “Psicomotricidade”, no momento que apresenta os primeiros estudos sobre a debilidade motora nos débeis mentais.

Segundo Fonseca (2012) Henri Wallon, provavelmente, é o grande pioneiro da Psicomotricidade, vista como campo científico. Ele impulsiona as primeiras tentativas de estudo da reeducação psicomotora. Surgindo Guilmain que, estimulado pela obra de Wallon, apresenta uma concepção de testes, tipos de ação reeducativa e as primeiras orientações metodológicas sobre reeducação psicomotora.

Para Wallon 1925 apud Fonseca 2012, p.13, o movimento é a única expressão e o primeiro instrumento do psiquismo. Distinto, que também muito influenciou a teoria e a prática da Psicomotricidade foi Piaget.

Voltando a Wallon, a psicomotricidade a luz dele e de Ayuriaguerra, concebe os determinantes biológicos e culturais do desenvolvimento da criança como dialéticos e não como redutíveis uns aos outros. Ganhando uma expressão significativa, que traduz a solidariedade profunda e original entre a atividade psíquica e a atividade motora. Caminhando em outra direção, teremos de destacar na área da Psiconeurologia do movimento os nomes de: Ozeretsky (divulgado muito antes por Guilman), Vygotsky, Bernstein, Zaporozhets, Elkonin, Galperin e Luria.

Fica por conta dos soviéticos, a introdução em Psicologia, do conceito de que a origem de todo o movimento e de toda a ação voluntária não ocorre dentro do organismo, mas a partir da história social do homem.

A Psicomotricidade por Vitor da Fonseca

Vitor da Fonseca é professor catedrático agregado da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa. Mestrado em Dificuldades de Aprendizagem pela Universidade de Northwestem (Evanston – Chicago). Especializado em Psicopedagogia, Neuropsicologia e Psicomotricidade.

Responsável Clínico, ao longo de 30 anos, em vários centros de observação e reeducação psicoeducacional privados, dedicados a crianças com atrasos de desenvolvimento e a crianças com as mais diversas dificuldades. Criador da Bateria Psicomotora.

A BPM é um conjunto de situações ou tarefas que buscam analisar de forma dinâmica o perfil psicomotor da criança, procurando em concordância com a organização funcional do cérebro, proposta por A.R. Luria. Mas devemos nos atentar que essa bateria não nos fornece informações neurológicas e patológicas muito detalhadas.

Entretanto, é interessante, a aproximação entre a Psicomotricidade e a Psiconeurologia, pois tenta introduzir uma ciência que estuda as relações entre o comportamento humano e as funções do sistema nervoso – a Psiconeurologia.

A BPM – Bateria Psicomotora (Fonseca)

A BPM é um conjunto de tarefas, que permite, detectar déficits funcionais ou substanciar a sua ausência, apresenta uma quantificação, mas não cai em padrões restritivos, e permite detecção qualitativa de sinais funcionais, cobrindo a integração sensorial e perceptiva da criança, com o potencial de aprendizagem.

Pode ser utilizado, como um instrumento que auxilie a compreensão dos problemas de comportamento, e de aprendizagem, evidenciados pelas crianças e pelos jovens de 4 a 12 anos. Esse instrumento, baseia-se na observação de funções, que envolvem as três unidades fundamentais do cérebro.

A primeira unidade funcional, compreende a tonicidade e o equilíbrio, constitui o alicerce fundamental da organização funcional da Psicomotricidade. A segunda unidade, compreende os seguintes fatores psicomotores da BPM: lateralização, noção do corpo e estruturação espaço – temporal. Implicam, processos gnósicos de decodificação e de codificação visual e tátil – quinestésica, em termos interneurossensoriais (áreas terciárias), e por fim, a terceira unidade funcional, integra os dois últimos fatores: praxia global e praxia fina.

É realizada assim, uma analogia entre o modelo psiconeurológico de Luria e os fatores psicomotores da BPM. A organização dos fatores (que são sete), apresentam-se em termos ontogenéticos, confirmando a hierarquização vertical do modelo luriano: tonicidade (do nascimento aos 12 meses), equilibração (dos 2 aos 3 anos), noção do corpo (dos 3 aos 4 anos), estruturação espaço-temporal (dos 4 aos 5 anos), praxia global (dos 5 aos 6 anos) e a praxia fina (dos 6 aos 7 anos).

Cada fator, será definido em termos psiconeurológicos e subdividido nos seus subfatores, conforme uma ficha de registro da BPM. Na ficha, serão registradas as respostas da criança e uma cotação definida em termos comportamentais. Considerações serão apresentadas sobre a significação psiconeurológica e funcional dos sinais detectados.

Em todos os fatores e subfatores, o nível de realização é medido numericamente, em uma cotação de 1 a 4, sendo: 1 apraxia, 2 dispraxia, 3 eupraxia e 4 hiperpraxia. Segundo Fonseca, a qualidade do perfil psicomotor da criança, reflete o grau de organização neurológica das três principais unidades, segundo Luria, está indubitavelmente associada ao seu potencial de aprendizagem, quer fundamentalmente em termos de dificuldade.

Enfim, a BPM apresenta-se com base nesta ideia, tendo como finalidade, detectar e identificar crianças com dificuldades de aprendizagem, é um instrumento de avaliação psicopedagógico, pois pode ser utilizado para reconhecer precocemente as dificuldades e assim poder intervir.

Referência Bibliográfica
Fonseca, Vitor Manual de observação psicomotora: significação psiconeurológica dos fatores psicomotores – 2.ed. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2012.

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