JOGO DE AREIA OU CAIXA DE AREIA

cena-pag-jogo-3-080831
TÉCNICA QUE PODE SER UTILIZADA COMO INSTRUMENTO DE DIAGNÓSTICO E INTERVENÇÃO

Por: Grazielle Fachini dos S.M. Gonçalves.

Segundo Anete M.B. Fernandes em seu artigo publicado em 2012 na Revista de Psicopedagogia a origem do Jogo de Areia é a “Técnica do Mundo” (World Technique), criada em 1935, pela médica Margareth Lowenfeld, no Instituto de Psicologia Infantil, em Londres. Ainda segundo ela a Técnica do Mundo atraiu terapeutas de diferentes orientações teóricas. Assim seguiu um caminho semelhante o Jogo de Areia.

O Jogo de Areia é uma possibilidade de instrumento de diagnóstico e intervenção psicopedagógica clínica da teoria da Epistemologia Genética de Jean Piaget e dos processos de aprendizagem, já o Sandplay foi traduzido por terapeutas brasileiros da mesma linha teórica e é um método psicoterapêutico junguiano e o método clínico piagetiano, para trabalhar com crianças e adolescentes em atendimento psicopedagógico clínico. A areia é um elemento extremamente importante, além de ser um elemento que nos remete a terra, ao natural, traz também a representação da infância, do brincar e permite inúmeras sensações.

Esta técnica consiste no uso de uma caixa contendo areia, na qual o paciente pode colocar miniaturas de objetos, sendo: animais, seres diversos, pessoas, transportes, entre outros, lembrando que essas miniaturas são simbólicas, mas adquire força real, dinamismo, valor emocional e conceitual. Podem manipular, molhar a areia, criando cenários dentro de um espaço “livre e protegido”, proporcionado pelo relacionamento terapêutico e pela continência da caixa, no qual permite intervenção, pois ajuda acalmar e enriquecer, por isso altamente recomendável para o tratamento de pessoas agressivas, depressivas e ansiosas, que passaram por situações traumáticas, mesmo ocorridas na primeira infância, hiperativas, inseguras, baixa autoestima com comportamento obsessivo-compulsivo, pois proporciona prazer de aprender através do lúdico, com isso o aprendiz cria e recria histórias em diferentes cenários que podem ser usadas como ferramenta para diagnosticar como também na intervenção permitindo a construção do mundo imaginário e em correlação com o seu mundo real apresentar diferentes contextos aos olhos do psicopedagogo, que deve ser nesse momento um observador acompanhando um pouco afastado e registrando as ações vivenciadas pelo aprendiz, intervindo apenas quando solicitado e essa deve ser o mais sucinta possível. As intervenções de pesquisa devem ocorrer ao término da construção da cena, e ser de domínio cognitivo, afetivo e funcional e concluído com a construção de uma história.

Durante a observação é muito importante registrar como o indivíduo se aproxima do objeto, como escolhe, pega e cria. Emitem-se sons (se expressa) ou não (se mantém mudo), se respeita o limite da caixa, a organização, seleção, distribuição, quantidade de miniaturas utilizadas, ou seja, quanto mais detalhes puderem ser recolhidos durante o procedimento mais rico torna-se o diagnóstico.

Por fim o espaço simbólico construído permite criar uma ponte entre o sujeito e o objeto, mundo real e imaginário, emoção e pensamento, enfim consciente e inconsciente podendo vir a relacionar o cenário à realidade vivida pelo indivíduo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *